É o sangue que é nosso numa verdade escondida e arrefecida,
É o sangue que corre ainda uno nas últimas gotas que restam,
É o sangue que era vivo, fresco, num vermelho que mudava de cor,
É o sangue que foi escolhido num brilho que já não está no céu,
É o sangue, que se derrama num último suspiro, como grãos de areia por entre as mãos,
É o sangue que por teimosia e orgulho ferido não irá conhecer um futuro,
É o sangue que seca nas promessas esquecidas,
É o sangue que se ri de nós, desfigurado por entre o medo,
É o sangue que é nosso,"negro, escuro, morto", como Nós!
E do novo início se fez o fim...
Mesmo na escuridão se via a luz, como a que sempre há sobre a neve; e parecia que as rajadas de neve e os véus de nevoeiro tinham adoptado a forma de mulheres com largos vestidos flutuantes.
Bram Stocker, Drácula
São de pedra as lágrimas que correm por ti...
Vivo num mundo de fantasia em que te abraço todas as noites, em que acordo com o teu sorriso e faço de conta... segredo-te todo dia que te amo, que tenho para ti um espaço só teu, que és a minha vida, a minha razão de ser...
Vivo num mundo criado de sonhos em que estás sempre ao meu lado...espero-te em cada canto, em cada passo que dou e em promessas que só os deuses ouvem, juro-te amor eterno...
São negros os dias que pinto sem ti, são lâminas afiadas os corpos que se tocam, as mãos que se dão, as bocas que se beijam, porque falta uma de nós nos duetos improvisados numa dor inesperada...
E tu... só tu... sempre tu... consegues ferir até à alma este corpo agora errante que voltou a ser de menina...
Arrancaram de mim a minha metade...sem piedade, rasgaram-me a carne que agora sangra em ferida aberta e que nunca vai fechar, separaram-me da minha benção, do meu tesouro precioso, da minha vida...deixaram-me a morrer num vale negro com aves de rapina que esperavam o momento do fim para o ataque fatal.
E relembro os dias claros, as palavras suaves e tranquilas entre beijos e mãos dadas...relembro o cheiro das flores de verão, os pássaros alegres e saltitantes nas ervas frescas, a pele que era inteira e as metades unidas num sentimento puro construído há muito tempo atrás...recordo os sorrisos por entre as lágrimas de agora...
Presa na minha urna de vidro, não posso estender-te a mão, não posso envolver-te no meu abraço e segredar-te que o sol vai voltar a brilhar...
Sou uma alma perdida no tempo à espera de te voltar a encontrar...